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Patrícia Lobo

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31.10.11 | Patrícia Lobo
Aquele lugar tem algo especial. É como se entrasses num mundo completamente diferente, onde ouves apenas os pássaros a cantar e coelhos correm mesmo aos teus pés, ainda que assustados com a presença estranha. Gostava de te levar lá um dia, ao final da tarde. As sombras, soltas e inconstante, desenhadas no chão é algo bonito de se ver. Fazem-nos sonhar com algo que talvez possa nem existir mas que ganhou vida naquelas formas escuras que se vão modificando. Podíamos ficar a olhar o céu, por entre ramos e folhas de árvores, e dar as mãos para completar um qualquer ritual de amor. Podíamos ficar assim até ser noite, até tu teres de partir.

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30.10.11 | Patrícia Lobo
Olha para mim, olhos nos olhos. Deixa-me pegar na tua mão e levá-la até ao meu peito. Sentes o bater forte do meu coração? Agora sabes o que sinto de cada vez que o meu olhar cruza o teu.

deixa-me falar-te de amor

18.10.11 | Patrícia Lobo
Nesta era em que tudo é fabricado, em que nada é natural, em que nada é puro; em que os primeiros beijos se trocam por telemóvel, se fala por sms e os ditos «encontros românticos» acontecem no cinema, entre um balde de pipocas e um copo de coca-cola, nesta era, que já não é minha, já não é tua, já nem é nossa; deixa-me falar-te de amor. Não quero falar deste «amor» novo, feito de «roda-bota-fora», que nasce podre e é vazio. Não te quero falar do amor para passar tempo, que se joga na Internet; nem daquele que se conhece num bar ou numa discoteca.

Não: deixa-me falar-te de amor como o conheço, da mesma forma lamechas e (hoje) tão fora de moda; a mesma que te ensinaram os teus pais ou os teus avós; como era antigamente, quando passeavam junto ao rio, por vezes de mãos dadas, e coravam ainda, se encontravam alguma cara conhecida. Deixa-me falar-te do amor que me ensinaste. O amor que me ensinaste começou por um acaso, porque, por acaso, eu estava sozinha e tu também. O amor que me ensinaste não foi cozinhado nem confeccionado a propósito.

No nosso amor, tu dás-me a mão e eu coro; convidas-me para sair e eu hesito; brincas com os meus caracóis e eu gosto; bebemos chá e ficamos ébrios; passeamos à beira-rio e pode ser que nos beijemos. No nosso amor, não somos só amantes, mas somos cúmplices. E companheiros. Olhas para mim e lês-me nas entrelinhas. Olho para ti e sei-te de cor. Sorrio e mergulhas nesse sorriso. Abraças-me e absorves-me inteira. Dizes-me «amo-te» e eu acredito.
O amor que me ensinaste é puro, é natural, é biológico, sem corantes nem conservantes. Mas deixa-me contar-te um segredo: nesta era, que já não é minha, já não é tua, já nem é nossa; o nosso amor, ainda encanta!

Ana Rita da Silva Freitas Rocha, in 'Textos de Amor – Museu Nacional da Imprensa'

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