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Patrícia Lobo

Patrícia Lobo

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08.11.11, Patrícia Lobo
Os pés descalços faziam a madeira ranger em determinados sítios devido à fragilidade do chão daquela casa. A um ritmo que só ela comandava, sem mesmo se aperceber disso, passava horas ali. Era a divisão da casa que mais gostava, porque as paredes da mesma eram somente espelhos. Estava tudo com demasiado pó, da primeira vez que por lá passou e espreitou pela janela, mas não iria perder por nada a oportunidade de ter um sítio para meditar, no meio do nada, numa casa abandonada, numa divisão poeirenta e esquecida no tempo. De facto, ali as horas perdiam-se na eternidade e ela ficava horas a dançar em frente aos espelhos, enquanto o pó se ia levantando por onde ela passasse, ainda que suavemente, como se deslizasse. Nada a fazia mais feliz. Estar sozinha, vazia de sentimentos e pensamentos e apenas dançar, dançar, dançar...

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06.11.11, Patrícia Lobo
Saudade. Uma palavra tão bonita, poderosa e desgastante. Passaram meses e alguns ainda virão e eu continuo aqui sem ti. Os dias passam como se fossem eternos e agora o tempo teima em não ajudar naquilo que sinto. Um noite fria de Inverno sem ti é o extremo daquilo que passámos durante as noites quentes de Verão, juntos, abraçados, eu sentada ao teu colo, tu com os dedos entrelaçados nos meus longos cabelos, terno e seguro de si mesmo. Tenho saudade desse teu olhar brilhante até mesmo no escuro, quando ficávamos deitados no pequeno jardim da casa dos teus avós para ver as estrelas. A única estrela que via eras somente tu, e não conseguia desviar os olhos de algo tão belo, que me fazia tão feliz.
Com o fim do Verão, o vento frio de Outuno que prometera levar-te, chegou e assim o cumpriu. Escrever para ti é uma forma de fazer com que o tempo passe mais rápido. Espero que embarques depressa no avião com o destino de sempre. Tens alguém aqui à tua espera.

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03.11.11, Patrícia Lobo
Corre atrás de um rio. Apanha uma estrela. Cheira uma rosa. Leva-te a andar de balão. Anda descalça na relva. Corre uma praia inteira debaixo de chuva. Dá um mergulho no mar bravo e sustém a respiração até ao máximo. Inspira. Expira. Bebe até caíres para o lado. Levanta-te e volta a erguer o copo. Deita-te sobre pregos. Queima os dedos numa chávena de chá quente. Acende e apaga a luz do teu quarto mil e duas vezes. Liga para aquela pessoa que já não falas há imenso tempo. Manda quem te apetece para o caralho! Diz para ti própria que és linda. Acredita no valor que tens. Compra uma máquina fotográfica analógica. Fotografa o fim do mundo. Finge que estás doente só para não ires às aulas. Faz com que acreditem que te vais embora para sempre. Tenta que "ele" perceba que tu és a tal, que te beije e abrace e te diga "Não vais... Não sei ser sem ti a meu lado".

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02.11.11, Patrícia Lobo
Foi apenas mais uma história de amor que acabou por se transformar em cinzas. As chamas da paixão apagaram-se e ficou aquilo que restou delas. Cinzas e um vazio horrendo, por não voltar a sentir-te junto a mim. A porta de casa não mais se abrirá de repente, e não mais de repente olharei esse teu rosto, esboçando um sorriso.
As flores do jardim do nosso amor acabaram por murchar e não arranjo forças para as fazer desabrochar de novo. Apenas uma pessoa não é suficiente. Um grande amor é para ser vivido a dois.

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02.11.11, Patrícia Lobo
Guardámos os segredos do nosso amor perto do lugar que o viu crescer. A cada dia que passou, colocámos um pouco mais deste sentimento dentro da pequena caixa de madeira. Mas rápido, para que nada do que já lá estivesse dentro escapasse com o vento. Guardámos os sorrisos e o primeiro beijo. E os que já demos a seguir a esse.
Por vezes, penso que mais tarde ou mais cedo descobrirão a caixa. Mas sabes, estou tranquila. Para quem a abrir, será apenas mais uma caixa de madeira vazia. O amor não se vê, sente-se. Só nós sentimos verdadeiramente aquilo que os outros sentem como um arrepio na espinha.

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