Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Patrícia Lobo

Patrícia Lobo

...

21.06.12, Patrícia Lobo
É esta insónia que me chaga de todas as vezes que planeio deitar-me sobre as nuvens e esquecer por um momento a minha própria existência. É este frio que se instala sobre a pele e consome todas as poucas forças que me restam sem o teu cálido abraço. Fazem-me falta a tranquilidade e o sangue ardente. Fazes-me falta; trazias tudo aquilo que precisava. Porque não estás mais aqui?

...

20.06.12, Patrícia Lobo
Sentimentos distorcidos que ficam eternizados numa fotografia desfocada. Não sei se te quero bem; ou se te quero bem só do meu lado. Por ti, não me importo de ser egoísta; é a melhor leitura que faço de mim, desde que compreendi que amar-te é a única coisa sei fazer inteiramente. Não vou desperdiçar noites quentes de verão sem razão alguma, quando a verdadeira razão espera por mim; quando a derradeira aventura está em nós e naquilo que podemos alcançar juntos. A árvore plantada no início da estação fria, floresce agora. Se soubermos cuidar e proteger, colheremos os frutos deste amor em breve.

...

19.06.12, Patrícia Lobo
Vou deixar-me levar pelo vento e esperar que a corrente da maré de todas as manhãs te recupere para mim.  Nesses teus olhos cor de avelã cristalizada, espero um dia te reencontrar; a ti e a esse teu amor que não me soubeste dar. Que as nossas mãos se voltem a tocar se chegares para ficar; tens de prometer ao sol de todos os dias não mais partir. E que esses teus braços me devolvam a eternidade que um dia tive. 

...

19.06.12, Patrícia Lobo
A lua poderia ter sido nossa testemunha, mas algo se perdeu na noite. Num impulso, o ambiente quente que se vivia tornou-se tão gélido que, por instantes, senti o coração parar. Esses teus olhos que antes me proporcionaram o infinito, não passam agora de órbitas vazias e distantes, assim como a tua mente. Nunca cheguei a compreender a tua partida e sem ti, tudo em mim foi quebrado. Ainda não me encontrei completamente; perdi demasiado quanto te foste.

...

18.06.12, Patrícia Lobo
Nunca vamos poder fazer nada daquilo que queremos. Talvez nem cheguemos a ser metade do que sonhámos ser. Eu compreendo o receio que vos atravessa, mas eu não tenho assim tanto medo quanto vocês. Eu só não me quero perder em mim se não encontrar o meu lugar neste mundo. Vocês já viveram as vossas loucuras e agora é o meu momento. Sabem do que falo e o que pretendo. Sou jovem, a única coisa que quero é vícios e liberdade.

...

18.06.12, Patrícia Lobo
Não existe nada mais puro que nós. Nada tão interessante como as nossas conversas de café ou tão angustiante como a tua ausência. Lembro-me da primeira troca de olhares profundos, como se tivesse acontecido neste segundo que passou. Recordo-me de ver a imensidão nos teus olhos castanhos amarelados e a minha felicidade reflectida neles. Não sei explicar o que senti, sabes; mas ainda hoje, quando te vejo subir a escada que nos leva até ao segundo piso do café - aquele que tem as estantes preenchidas de velhos livros e pequenos retratos antigos - sei que continuo a pertencer-te, como a tinta pertence à tela ou a lua pertence à noite. Contigo, não sou feita de metades, porque me dás tudo aquilo que preciso para me sentir completa ao teu lado.

...

17.06.12, Patrícia Lobo
Linhas paralelas cruzam-se no infinito, defendem alguns. E sabes, nós somos a demonstração viva dessa tese, começo a acreditar. Sempre abraçámos rectas distintas como trapezistas sem rede, permanentemente com receio do desequilíbrio. Agora, já longe do primeiro passo que demos no início desta viagem, as nossas vidas cruzam-se. O temor de cair no vazio desapareceu e as linhas que outrora eram paralelas tomaram um só sentido. Não sei o que será de mim se alguma vez esta tese for deitada por terra. Já não sei viver sem as tuas palavras e os teus delicados beijos na testa. Sem as nossas confissões. Sentir que estás ao meu lado, seja onde for e mesmo que a quilómetros de distância. Saber que farias tudo por mim, tal como eu por ti.
Nunca, mas nunca me deixes. A tua ausência atirar-me-ia para o nada que se encontra mesmo abaixo de nós.
"Melhor amigo é aquele que mesmo de longe, cuida de você."

...

15.06.12, Patrícia Lobo
Também quero ter quem me abrace a cada segundo. Quero ter alguém do meu lado a todas as horas. Quero beijos. Quero sentir o cheiro de quem amo. Partilhar segredos. Espalhar sorrisos. Quero discutir para fazer as pazes. Quero que alguém chore por mim. Que chore comigo. Implore o meu perdão. Também quero passear à beira-mar, de mãos dadas. Quero alguém que grite ao mundo o quanto me ama. Quero saber o que é ser a mulher da vida de alguém.

Não é inveja.
É demasiada carência.

...

13.06.12, Patrícia Lobo
São sonhos desperdiçados, lágrimas em vão. Palavras atiradas ao vento, sentimentos amachucados como folhas de papel. Afectos sem recompensa, segredos envoltos em ilusão. E um amor que nunca conquistou um princípio.

...

13.06.12, Patrícia Lobo
Às vezes o melhor momento é aquele pelo qual ainda não passamos. Às vezes o melhor caminho é exatamente aquele pelo qual jamais iremos trilhar. E o amor às vezes nos acontece exatamente porque ainda não nos aconteceu; um amor feito da mesma matéria de que são feitos nossos desejos, que nele nos seguramos quando nada temos nas mãos. Somos apaixonados - além do Amor propriamente dito - por horizontes e amanhãs. Afinal, não é disto também de que são feito os nossos sonhos? Pois o amanhã será sempre terra fértil, onde os frutos são todos doces (ou menos amargos) e todas as nossas escolhas, menos equivocadas. E lá, no amanhã, eu poderei ser feliz, lá eu serei inteiro, amado e amante, mesmo que hoje eu celebre minhas metades e me contente com tristezas que não quero. As ilusões e os reflexos nos convencem, levem-nos ao real de nós ou não. Por isso sinto que somos o que ainda seremos. Sou mais real nas férias que aguardo e na viagem que planejo, depois da graduação ou daqui a 15 minutos. Somos feitos de intervalos e expectativas entre o agora onde me encontro e aquela festa na qual fui convidado. Sou uma pausa entre o que sou e minhas ansiedades. Aí então, pleno no meu vir-a-ser, existirei inteiro com o diploma na mão e depois, com o emprego dos meus sonhos e depois, serei feliz durante a festa e depois, quando de mãos dadas com alguém e durante, não antes. Somos reais ao avesso, exatamente pelas nossas projeções. Somos reais em um contínuo estado de espera. Sou o que ainda serei. Sou por consignação. Aí então digo que hoje o Amor em nós custa caro, porque nos consome entre suas doçuras e os conflitos que nos causam; porque devora entre paixões que nos arrebatam e exigências desmedidas. Porque o Amor em nós são as alternâncias, as contradições, o doce que precede o amargo que precede o doce, sombras que se conversam e se curvam rebeldes mas entregues a quem se ama. E nem sempre estamos dispostos a pagar o preço do inevitável; porque estar no agora é assumir o todo e a soma das suas partes. Porque o Amor nos rasga inteiro quando também nos costura; porque o Amor é a tensão - e a tesão - que nos eleva e também nos arrasta. E saiba: a gravidade só existe no presente; ao futuro sempre será permitido as levezas. No amanhã, o Amor é mais fácil porque ainda não o é. Sem cobranças e sem juros, mas também sem rosto.

Pág. 1/2