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Patrícia Lobo

1 + 3 | Em Casa

22.10.18 | Patrícia Lobo
Fonte
 «Home is where the heart is». E o meu coração tem tantas casas. Umas longe, outras bem perto de mim. Sinto-me em casa dentro das quatro paredes que formam o meu ainda jovem lar. Sinto-me em casa quando me sento no meu sofá a ler um livro ou a ver um filme na Netflix. Sinto-me em casa na casa onde me levanto todas as manhãs e adormeço todas as noites. Sinto-me em casa, na casa que comprei para iniciar a minha vida a solo.

Sinto-me em casa quando estou de regresso à minha aldeia. Sinto-me em casa quando chego a casa dos meus pais, onde cresci. E não há nada melhor do que regressar onde tudo começou, desde que me lembro que sou gente.

Já não me sinto em casa quando vou a casa da minha avó. Dantes sentia-me em casa, mas ela agora não está mais lá. Ela era a minha casa naquela casa. Mas já não sinto o cheiro dela quando entro pela porta. E eu sei que me sinto em casa quando sinto cheiros que me trazem lembranças boas. Ela continua a ser um dos meus cheiros preferidos. Ela continua a ser uma das minhas casas favoritas.

Sinto-me em casa em abraços confortáveis. Sinto-me em casa quando estou com as pessoas que mais amo. Ou quando penso nelas, porque não as posso ver. Também me sinto-me em casa quando me recordo de sítios por onde passei e onde deixei um pedaço de mim.

O meu coração tem tantas casas. E eu sinto-me em casa em cada uma delas!

Este texto faz parte do Desafio 1+3

O que mais gosto no meu Kindle?

13.10.18 | Patrícia Lobo
Comprei o Kindle Paperwhite há pouco mais de dois ou três meses. Já nem tenho bem a certeza, pois parece que já o tenho há tanto tempo e já se tornou parte da minha rotina diária. Levo o meu Kindle para todo o lado, na minha mala. Leio sempre que tenho oportunidade. Nos transportes públicos, enquanto espero por algo ou alguém,... Desde que uso o eReader, não tive mais aqueles grandes problemas com altas secas que apanhava quando havia comboios suprimidos ou atrasos. Sempre que acabo de me arranjar primeiro do que a família e tenho de ficar à espera deles para sairmos de casa, lá vou eu para o sofá, ler um pouco.


O Kindle é sem dúvida um objecto muito prático para levar connosco para todo o lado e, pelo menos a mim, permitiu-me ler muitos mais livros do que era habitual, porque tinha sempre preguiça para levar um livro físico na mala, a pesar no ombro...
Para além de prático, o Kindle tem muitas outras características e funções de que gosto. Deixo-vos agora uma pequena lista das mesmas.

A BATERIA DURA IMENSO
Eu não comprei o meu Kindle em segunda mão. Veio novinho em folha para mim e uma das coisas que mais adoro nele é que a bateria, dura imenso tempo! Desde que o tenho, só carreguei duas vezes, sendo que numa delas a bateria ainda estava a pouco menos de metade, só que por alguma razão tinha medo que não durasse tanto tempo e sabia que o ia usar mais vezes sem ter oportunidade de o carregar. Não fez muito sentido, até porque desde essa vez - creio que há mais de um mês - ainda não precisei de o carregar novamente. Algo que me ajuda a poupar bateria é colocar o modo avião activo. Só uso wi-fi no Kindle quando estou em casa e quero descarregar livros ou fazer algumas pesquisas na store, directamente no eReader.

TEMPO DE LEITURA E PROGRESSO
Uma das funções a que estou mais atenta é ao tempo de leitura que ainda me resta no livro que estou a ler e o progresso da mesma. Quando ao tempo de leitura, podemos optar por mostrar o tempo que ainda nos resta até ao fim do livro ou até ao fim de cada capítulo. O próprio Kindle vai adaptando o tempo consoante o ritmo da minha leitura.

DICIONÁRIO INTEGRADO
Esta é uma das funções que mais tenho usado. Tenho lido livros mais complexos e antigos, com uma linguagem diferente da actual e daquela a que estou habituada. Por essa mesma razão, há muitas palavras que desconheço, mas cujo significado consigo aceder ficando, simplesmente, a carregar sobre a palavra. Mas não só o seu significado é disponibilizado como também a sua tradução, caso estejamos a ler um ebook numa língua estrangeira. Se usar esta função com o acesso à Internet disponível, há possibilidade de procurar o significado da palavra na Wikipedia.
Outra função que, apesar de ainda não ter utilizado, me fascina imenso, são as ajudas de leitura do Kindle quando lemos num idioma estrangeiro. Ainda não utilizei esta função, pois não li nenhum livro noutro idioma mas, basicamente, quando esta está activa, ao longo do livro, vão sendo dadas dicas de vocabulário, para tornar mais simples a compreensão de certas passagens do livro num idioma a que não estejamos habituados.

INTEGRAÇÃO COM GOODREADS
Isto é um mimo! Poderes ter o teu Kindle, a Kindle Store e o Goodreads num só sítio é uma grande ajuda. Tal como na app do Goodreads, podemos ver as nossas actualizações, bem como as das pessoas que seguimos: livros que estão a ler, desejos de leitura, entre outras coisas; se nos interessar algum livro podemos procurá-lo directamente na Kindle Store, etc. Esta integração, do meu ponto de vista, é uma mais valia para tirar pleno partido do meu Kindle.

Estas são, realmente, as características do meu Kindle, que mais gosto e faço bastante uso delas. Para quem quer uma ideia mais aprofundada das funções e conhecer outras, dou-vos a seguinte sugestão: vejam o vídeo TOUR PELO KINDLE PAPERWHITE: vale a pena ter?, da Ju Cirqueira. Foi um dos vídeos que mais gostei de ver, enquanto fazia pesquisas antes da compra do meu eReader.

Para quem tem um Kindle: o que mais gostam e usam nele?
Para quem não tem: alguma destas funções vos fariam render ao clube dos Kindle?

3 Razões Para Viajar Sozinha

08.10.18 | Patrícia Lobo
Desde que comecei a trabalhar, a primeira razão pela qual comecei a juntar algum dinheiro e tentar ser poupada foi, sem dúvida, para viajar! Sempre desejei visitar muitos lugares, no entanto, nem sempre tive oportunidade para o fazer devido a questões financeiras. Por outro lado, sempre senti que viajar sozinha não seria para mim. Até que no início deste ano, decidi passar uns dias sozinha, ainda em Portugal, para ver como me safava. Digo-vos: adorei a experiência!

Fonte
Tive oportunidade de passar algum tempo numa cidade que há muito queria visitar, a cidade do Porto, mas que nunca o tinha feito por falta de companhia ou de compatibilidade de datas com a família e/ou amigos. Sem pensar duas vezes, achei que deveria dar o primeiro passo e lá fui eu.

Depois dessa viagem, já fiz outras com companhia de amigos ou família, mas não senti que tivesse aproveitado da mesma forma que aproveitei no Porto. Daí surgiu a ideia deste post. Deixo-vos três razões pelas quais quero fazer grande parte das minhas viagens sozinha.

Manter o meu ritmo
Ao viajar sozinha, tenho oportunidade de planear (ou não) todos os aspectos da viagem. Quero ir visitar isto, mas não tenho tanto curiosidade para visitar aquilo. Quero ir àquela hora, porque depois disso quero estar noutro lugar. E assim por diante. Todo o itinerário está por minha conta. Todo o ritmo da viagem, sou eu que o marco. Desta forma, aproveito muito mais.

Desenvolver a minha independência
Viajar pode trazer muitos desafios. Principalmente, se viajarmos sozinhos. Temos o tema de toda a organização da viagem: para onde ir, onde ficar, o que comer, o que visitar... Depois, temos as questões financeiras: quanto poupei, o que posso gastar, onde gastar,... E mesmo com toda uma preparação prévia e cuidada, os contratempos são sempre possíveis. Ter de lidar com certas situações, longe da minha zona de conforto, é algo que me tornará mais independente e até mesmo proactiva no meu dia-a-dia.

Ser mais confiante
Quando parti sozinha nesta aventura, senti que o medo e a insegurança me acompanhavam. Mas, no momento em que me vi sozinha, fora da rotina dos meus dias, numa cidade diferente, tendo de lidar com assuntos e pessoas que não conhecia e, ainda assim, fazê-lo, fez com que me sentisse mais confiante. É uma sensação que quero voltar a experimentar: eu vou em frente e consigo ultrapassar cada obstáculo, mesmo que seja sozinha.

E vocês, preferem viajar sozinhos ou acompanhados? Partilhem comigo as vossas experiências.

1 + 3 | Uma situação de coragem

05.10.18 | Patrícia Lobo
Fonte
Hoje escrevo sobre a minha avó. Escrevo sobre ela e a coragem que tive de alcançar pelas duas, nos últimos dias em que ela esteve connosco.

Fevereiro de 2015. Nessa altura, vivia com os meus avós para ficar mais perto da faculdade. A minha avó lutava contra um cancro há quase 4 anos. Nunca parou. "Parar, é morrer", dizia ela. Mas a doença estava a deixá-la cada vez mais fraca. Passava os dias todos deitada na cama ou a dormitar no sofá.

Nos últimos dias que ela passou em casa, decidi ficar com ela e não ir à faculdade. Não havia ninguém com mais disponibilidade do que eu. No entanto, não foi fácil. Nunca é fácil veres uma força da natureza quebrar diante dos teus olhos. E foi isso que senti ao olhar para a minha avó nesses dias.

Numa manhã, estávamos as duas sentadas no sofá a ver televisão, mas ela disse que se queria ir deitar um pouco. Levantei-me para a levantar a ela. As suas pernas tremiam. Por mais que tentasse não a conseguia manter em pé, apenas com a minha força. De tal forma que, já não a conseguia manter em pé, nem sequer conseguimos que ela se voltasse a sentar no sofá. Deslizámos e ficámos sentadas no chão e recuperar forças. Eu tinha um nó na garganta. Liguei ao meu avô e ficámos as duas a conversar, enquanto esperávamos por ele.

Neste compasso de espera, a minha avó queria ir à casa de banho e eu nada pude fazer. Assim que o meu avô chegou, levámo-la para a casa de banho. Tive de limpá-la, pois não chegámos a tempo... E foi aqui que eu própria tive de me controlar e arranjar coragem para não começar a chorar à sua frente. Tinha de ser forte pelas duas. Ela foi forte por mim, uma vida inteira. Disse-lhe que estava tudo bem e que já estaria deitada e pronta para descansar num instante. Assim foi.

Depois deste episódio, fechei-me no quarto e chorei. Chorei por me sentir fraca e por não poder ajudá-la tanto quanto gostaria.

Uns dias depois, fui passar o fim de semana a minha casa. Antes de ir, dei-lhe um beijo na testa e disse "Adeus, vó! Vê lá se descansas." Foi a última vez que a vi.

Este texto faz parte do Desafio 1+3

Livros | O Melhor de Setembro

03.10.18 | Patrícia Lobo
Mais um mês que termina e com o início de Outubro, decidi criar uma rubrica mensal aqui no blogue. Serve "O Melhor de..." para vos falar do meu livro favorito de cada mês!

Em Setembro, li cinco livros:

- A Rapariga Apanhada na Teia de Aranha, David Lagercrantz (Millennium #4)
- O Homem que Perseguia a Sua Sombra, David Lagercrantz (Millennium #5)
- O Desaparecimento de Stephanie Mailer, Joël Dicker
- Onde Está a Felicidade?, Camilo Castelo Branco
- O Crime do Padre Amaro, Eça de Queiroz

O meu preferido foi sem dúvida alguma... O Crime do Padre Amaro! Gente, gente! Que livro!

      Título: O Crime do Padre Amaro
      Autor: Eça de Queiroz 
    Sinopse: Inicialmente publicada em folhetins, na Revista Ocidental, em 1875, esta é uma das obras mais conhecidas e mundialmente famosas de Eça de Queirós, em parte pela polémica suscitada pelo enredo envolvendo sacerdotes da Igreja Católica. O livro, que chegou às bancas em 1876, centra-se numa trágica história de amor entre o jovem padre Amaro e Amélia. Uma relação proibida que faz questionar o papel da fé e da religião bem como a moralidade dos homens do clero.

Confesso que faço parte daqueles estudantes que terminaram o ensino secundário sem uma obra estudada na íntegra. Os Maias é um bom exemplo disso. No entanto, com o passar dos anos, sinto que ganhei maturidade suficiente para ler e entender esse tipo de obras de forma diferente e, sobretudo, que o devo fazer!

Escolhi ler O Crime do Padre Amaro, porque achei realmente que os temas abordados no livro me iriam suscitar grande interesse. Desde um amor proibido a um retrato (muito bem conseguido!) dos vícios e hipocrisia da Igreja Católica, no século XIX... Não podia estar mais certa: adorei! Ri e chorei com este livro. Entrei mesmo na história. 

E vocês que já leram o livro, o que acharam? Para quem ainda não leu: têm alguma curiosidade em fazê-lo?
Espero que tenham gostado desta nova rubrica. Se tiverem sugestões de livros ou qualquer outro tipo de assunto, por favor, deixem nos comentários!