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Patrícia Lobo

Sab | 10.10.15

Primavera

Por Patrícia Lobo
Era ele. Parecia ainda mais bonito e tinha definitivamente o cabelo mais curto, mas era ele. Fiquei surpreendida. Não o esperava ali, naquele momento, mas já só conseguia pensar em abraçá-lo.
Dizem que o amor se vai desvanecendo com o tempo e a distância. Então que raio de amor é este que me reacende sempre que apareces? Só o vi três vezes na minha vida, incluindo hoje, e já o amo como se não fosse amar mais ninguém na vida. Que raio de amor é este que me faz amar alguém que não conheço, mas com quem quero passar o resto dos meus dias?

Nessa tarde, o sol reapareceu por entre as nuvens altas e tive a melhor ideia que alguma vez me podia ter passado pela cabeça. Peguei na minha mala, no livro que comecei a ler no dia anterior e saí de casa.

Se me contassem o que acabou por acontecer, eu não acreditaria.

Meia hora depois de me ter sentado no banco de jardim banhado pela maior sombra do parque, já estava noutro mundo. Página após página, palavra após palavra, lá ia sendo transportada para um mundo que não o meu, uma vida que não a minha. Até que alguém me despertou.

- Gosto muito desse autor. Tem obras lindíssimas.

Era ele. Parecia ainda mais bonito e tinha definitivamente o cabelo mais curto, mas era ele. Corei. Ia jurar que ele tinha percebido o quanto eu o amava. Ia jurar que ele me tinha achado louca. Mas ele estendeu a mão.

- Tiago.

E eu estendi a minha.

- Maria.

Estávamos na Primavera. Sabia-o, não porque as flores nasciam nos jardins do parque onde nos conhecemos pela primeira vez, mas porque senti borboletas na barriga.

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Projecto: Irmandade das Blogueiras
Tema: a Primavera.

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