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Patrícia Lobo

Uma Mãe, duas Avós

16.03.19 | Patrícia Lobo

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Fonte

 

O Dia da Mulher já lá vai, mas as Mulheres da minha vida estão comigo todos os dias. E todos os dias me sinto grata por as ter - ou ter tido - na minha vida. Hoje, quero falar-vos sobre uma mãe e duas avós.

 

Avó Geninha

 

Nasceu nos anos 30, na aldeia que me viu crescer. Já viveu muitas primaveras. Umas mais coloridas que outras. Com poucos anos de idade, foi viver para Lisboa com os padrinhos, pois os seus pais não tinham dinheiro para sustentá-la a ela e aos três irmãos. Estudou até, ao que era na altura, a sexta classe. Casou nova com o meu avô Alfredo e tiveram três filhos. O meu pai é o mais lindo deles todos, claro. Mas a vida pregou-lhe uma partida. O meu avô faleceu com cerca de 40 anos. Uma vida pela frente e três filhos para criar... sozinha. Foi e é uma mulher de garra.

Hoje em dia, os ossos já não a perdoam, mas anda sempre de um lado para o outro com o seu tablet atrás, cheio de jogos. É a avó que vai ler notícias na Internet e ver vídeos de tricot no Youtube. É verídico. É a avó do século XXI. E é minha!

 

Avó Dina

 

Nasceu nos anos 40, e viveu durante muitos anos em Oeiras. Namorou com o meu avô à janela, como se vê nos filmes antigos, e casaram-se depois de ele voltar do Ultramar. Tiveram dois filhos: a minha mãe e o meu padrinho. Foi a avó com quem eu passei grande parte da minha infância. Foi com ela e com o meu avô que vivi enquanto estive na faculdade. Foi com ela que passei maior parte da minha vida. Mas ninguém é eterno.

Lutou contra um cancro da mama durante quatro anos. E durante esses quatro anos não a vi baixar os braços. Era mais teimosa que a família toda junta. Acabou por falecer em 2015 e a sua perda foi a maior dor que eu já senti em toda a minha vida. Recordo-me dela como a avó que adorava futebol e o Benfica. Não perdia um jogo e, se não desse na televisão, ligava o rádio para ouvir o relato. Era a avó que fazia a melhor sopa da pedra do mundo. Era a avó que jogava Buzz todos os Natais. Tenho saudades dela...

 

Mãe

 

É a mãe que me liga para saber se eu já comi ou que manda mensagem para saber se eu já cheguei a casa. É a mãe que fala sozinha e relata todos os movimentos que faz (o que, por um lado, é hilariante, mas por outro, super irritante!). É a mãe que veio viver para uma aldeia, para dar uma vida mais segura às filhas. É a mãe que deixa de comprar coisas para ela, para poder dar às filhas. É a mãe que num segundo ralha comigo e no outro está a dar-me abraçinhos. É a mãe que é igual à avó Dina. Excelente cozinheira e muito teimosa.

Sinto que, às vezes, não lhe dou tanta atenção como ela merece. Reconheço o seu valor, mas nem sempre o demonstro. É a mulher mais bonita e a mãe que eu não trocava por nada neste mundo!

 

Desafio do mês de Março para o The Bibliophile Club.

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